Criação de empresa

CAE: O Que É e Como Encontrar o Código da Sua Atividade

O CAE é o código que identifica o que a sua empresa ou atividade faz — e escolhê-lo mal tem consequências fiscais e legais. Este guia explica o que é, como está estruturado na CAE-Rev.4, como escolhê-lo e como o alterar.

Atualizado a 15 de agosto de 2026 10 min de leitura Revisto por Miguel Dominguez, Contabilista Certificado
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O essencial em 30 segundos

  • O CAE (Código de Atividade Económica) identifica a atividade de uma empresa ou trabalhador independente, para fins estatísticos, fiscais e legais.
  • Desde 2025 está em vigor a CAE-Rev.4, harmonizada com a nomenclatura europeia NACE Rev. 2.1, que substituiu a CAE-Rev.3.
  • Tem uma atividade principal e pode ter atividades secundárias, cada uma com o seu código.
  • Um CAE errado gera problemas de IVA e IRC, coimas em inspeção e pode excluir a empresa de apoios e incentivos.
  • O código consulta-se no Portal das Finanças, no SICAE ou no INE, e altera-se por declaração de alterações.

O que é o CAE e para que serve

O Código de Atividade Económica (CAE) é um código que classifica a atividade exercida por uma empresa ou por um trabalhador independente. É atribuído com base na Classificação Portuguesa das Atividades Económicas, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE), e serve três finalidades: organizar a informação estatística do país, enquadrar a atividade para efeitos fiscais e identificar o objeto da empresa perante o Estado.

É usado transversalmente pela Autoridade Tributária, pela Segurança Social, pelo IAPMEI e pelo Instituto dos Registos e do Notariado. Sempre que declara uma atividade, o CAE é a etiqueta que diz ao Estado o que faz.

A estrutura do código na CAE-Rev.4

Desde 2025 está em vigor a CAE-Rev.4, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 9/2025 e harmonizada com a nomenclatura europeia NACE Rev. 2.1. Substituiu a CAE-Rev.3, que vigorava desde 2008, e passou de 21 para 22 secções, com dezenas de novas subclasses para áreas como a economia digital e as energias renováveis. A estrutura mantém cinco níveis, do mais geral ao mais específico.

NívelFormatoExemplo
Secção1 letraG — Comércio
Divisão2 dígitos47 — Comércio a retalho
Grupo3 dígitos477 — Retalho especializado
Classe4 dígitos4771 — Retalho de vestuário
Subclasse5 dígitosO código final que usa na atividade
Estrutura hierárquica do código CAE (CAE-Rev.4). O código operacional é a subclasse, com cinco dígitos.

Quem precisa de um CAE

Praticamente qualquer atividade económica declarada em Portugal tem um CAE associado. A forma como é atribuído difere entre empresas e profissionais individuais.

Pessoas coletivas (empresas)

Toda a sociedade tem um CAE definido no momento da constituição, associado ao seu objeto social. É o código que caracteriza a atividade principal da empresa perante o registo comercial e a Autoridade Tributária. Ao criar a empresa, escolher o CAE certo desde o início evita alterações e correções mais tarde.

Pessoas singulares (trabalhadores independentes)

Os empresários em nome individual e os trabalhadores independentes indicam o CAE — ou o código da atividade — na declaração de início de atividade nas Finanças. É o que enquadra os seus rendimentos na categoria B do IRS e define parte das suas obrigações fiscais. Também aqui pode existir uma atividade principal e atividades secundárias.

Como escolher o CAE certo

Escolher o CAE não é adivinhar um número: é traduzir a atividade real do negócio no código que melhor a descreve. Um método simples evita a maioria dos erros.

  1. Descreva a atividade real

    Escreva, por palavras, o que o negócio faz e como gera receita. Quanto mais concreto, mais fácil é encontrar a correspondência exata na lista.

  2. Pesquise na lista oficial

    Consulte a classificação no SICAE ou no site do INE e procure por palavra-chave ou navegando pela hierarquia, da secção até à subclasse.

  3. Defina a atividade principal e as secundárias

    A atividade principal é a que gera maior volume de negócios. As restantes registam-se como secundárias, cada uma com o seu código.

  4. Confirme o enquadramento fiscal

    Antes de fechar a escolha, valide com um contabilista o impacto do CAE no IVA, no IRC e no acesso a apoios. É o passo que evita surpresas.

Perguntas a fazer antes de definir o CAE
  • Qual é, de facto, a minha atividade principal geradora de receita?
  • Vou exercer atividades secundárias que precisam de código próprio?
  • O CAE escolhido cobre tudo o que vou faturar?
  • Este código dá acesso a apoios ou benefícios do meu setor?
  • O enquadramento de IVA associado é o correto para o meu caso?

CAE vs. código do CIRS

É uma confusão frequente entre trabalhadores independentes. O CAE e o código da tabela de atividades do CIRS não são a mesma coisa, e servem propósitos diferentes.

CAECódigo do CIRS (art. 151.º)
ResponsávelINEAutoridade Tributária
ÂmbitoEmpresas e trabalhadores independentesTrabalhadores independentes (IRS categoria B)
FinalidadeClassificação estatística, registo e enquadramentoEnquadramento em IRS e coeficiente do regime simplificado
FormatoSecção mais subclasse de 5 dígitosCódigo da lista de atividades do CIRS
Diferenças entre o CAE e o código da tabela de atividades do CIRS.

Na prática, um profissional liberal cuja atividade conste da tabela do artigo 151.º do CIRS usa esse código; se a atividade não constar dessa lista, recorre ao CAE. Muitos trabalhadores independentes têm, por isso, os dois.

Como consultar e alterar o CAE

Consultar o CAE de uma empresa ou o seu próprio é simples e gratuito. Alterá-lo também, desde que se sigam os canais certos.

Consultar o CAE

Para consultar o seu CAE ou o de outra empresa, o caminho mais direto é o Portal das Finanças, na área de dados de atividade, ou o SICAE, que permite pesquisar por NIF. A lista completa e a hierarquia da CAE-Rev.4 estão publicadas no site do INE, com as tabelas de correspondência entre a Rev.3 e a Rev.4 — úteis para quem quer saber para que código passou o seu CAE antigo.

Alterar ou adicionar um CAE

Quando a atividade muda, o CAE deve acompanhar. Um trabalhador independente altera-o através de uma declaração de alterações de atividade nas Finanças. Uma empresa, se a mudança envolver o objeto social, altera-o com uma deliberação e o respetivo registo comercial, além da comunicação à Autoridade Tributária. Em ambos os casos, convém não adiar: operar com um CAE que já não corresponde à atividade é um risco desnecessário.

Consequências de um CAE incorreto

Um CAE errado ou desatualizado não é um detalhe administrativo sem impacto. As consequências espalham-se por várias áreas do negócio.

ÁreaRisco de um CAE incorreto
FiscalEnquadramento errado em IVA ou IRC e deduções recusadas
LegalExercício de atividade não coberta e coimas em inspeção
ApoiosExclusão de incentivos e fundos destinados ao setor
CredibilidadePerfil incorreto perante bancos, parceiros e Estado
Principais riscos associados a um CAE incorreto ou desatualizado.
Atenção

O risco mais caro é o fiscal. Um CAE que não corresponde à atividade pode levar a Autoridade Tributária a recusar deduções ou a enquadrar a empresa num regime de IVA indevido — e a corrigir tudo em sede de inspeção. Uma gestão fiscal atenta começa por garantir que o código está certo.

O impacto do CAE nos apoios e incentivos

Há uma consequência do CAE que quase ninguém explica, e que pode valer muito dinheiro: a elegibilidade para apoios. Uma boa parte dos programas de financiamento é dirigida a setores específicos, identificados precisamente pelo CAE.

Candidaturas a fundos comunitários como o Portugal 2030, apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), linhas de crédito bonificadas e incentivos setoriais definem, nas suas condições, os CAE elegíveis. Uma empresa com o código errado pode ficar de fora de um apoio a que teria direito, sem sequer o saber. É por isso que alinhar o CAE com a estratégia do negócio, e rever apoios disponíveis, faz parte de uma boa gestão. Veja as linhas de apoios e incentivos para perceber o que se aplica ao seu setor.

Escolher o CAE certo

Ajudamos a definir o CAE que enquadra bem a sua atividade e a maximizar o acesso a apoios. Peça uma análise do seu caso.

Analisar o meu caso

Perguntas frequentes

Posso ter mais do que um CAE?

Sim. Pode ter um CAE principal e vários CAE secundários, desde que correspondam a atividades efetivamente exercidas. O CAE principal deve refletir a atividade que gera maior volume de negócios.

O que acontece se o meu CAE não corresponder à minha atividade?

Um CAE incorreto pode gerar problemas fiscais — deduções recusadas, enquadramento indevido de IVA ou IRC — e coimas em caso de inspeção. Pode ainda impedir o acesso a apoios e incentivos do seu setor. Deve ser corrigido assim que a atividade mude.

Onde encontro a lista completa de CAE?

A lista completa e atualizada da CAE-Rev.4 está no site do Instituto Nacional de Estatística (INE) e no SICAE. Ambos permitem pesquisar por palavra-chave ou navegar pela hierarquia, da secção à subclasse.

O CAE tem prazo de validade?

Não, o código não caduca. Mas deve ser atualizado sempre que a atividade principal ou as atividades secundárias mudem de forma significativa. Com a entrada em vigor da CAE-Rev.4, vale a pena confirmar para que código foi convertido o seu CAE antigo.

Preciso de um contabilista para escolher o CAE?

Não é obrigatório, mas é altamente recomendável. Um contabilista certificado garante que o código escolhido enquadra bem a atividade, otimiza o IVA e o IRC e não fecha portas a apoios — evitando correções dispendiosas mais tarde.

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Miguel Dominguez

Contabilista Certificado (OCC) — Census

Acompanha a constituição de empresas, o enquadramento de atividades e a gestão fiscal na rede nacional de escritórios Census.

Recursos e fontes oficiais

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